Insônia e distúrbios do sono: causas e tratamento

Por que a insônia se mantém, quando suspeitar de apneia do sono e qual tratamento funciona melhor que os calmantes.

Por Dr. Matheus Simão, médico neurologista em João Pessoa - PB · Atualizado em 16/09/2026

Resumo

Insônia é a dificuldade de iniciar ou manter o sono, ou acordar cedo demais, com prejuízo durante o dia, por pelo menos três noites por semana. O tratamento mais eficaz e duradouro é a terapia cognitivo-comportamental para insônia, associada a mudanças de rotina; medicações têm papel pontual. Roncos altos com pausas na respiração sugerem apneia do sono e exigem investigação.

O que mantém a insônia

Muitas vezes a insônia começa por um evento — estresse, luto, mudança de turno — e se mantém depois por comportamentos adotados para compensá-la: ir cedo para a cama, ficar deitado acordado, cochilar à tarde, olhar o relógio durante a noite.

O cérebro passa a associar a cama à vigília e à ansiedade. Quebrar essa associação é o ponto central do tratamento.

Higiene do sono que realmente funciona

Medidas com efeito comprovado:

  • Levantar sempre no mesmo horário, inclusive nos fins de semana
  • Só ir para a cama com sono, e sair da cama após cerca de 20 minutos acordado
  • Evitar cafeína após o meio da tarde e álcool à noite — ele fragmenta o sono
  • Reduzir telas e luz forte na hora que antecede o sono
  • Manter o quarto escuro, silencioso e fresco
  • Cochilos curtos, de até 20 minutos, e nunca no fim da tarde
  • Atividade física regular, de preferência não muito perto de dormir

Quando suspeitar de apneia do sono

Ronco alto, pausas respiratórias observadas por quem dorme junto, engasgos noturnos, acordar cansado, dor de cabeça matinal, sono excessivo durante o dia e pressão alta de difícil controle são sinais de apneia obstrutiva do sono.

A apneia não tratada aumenta risco de AVC, infarto, arritmias e perda de memória. O diagnóstico é feito com polissonografia e o tratamento pode incluir CPAP, perda de peso, tratamento otorrinolaringológico ou aparelho intraoral.

Outros distúrbios frequentes

Síndrome das pernas inquietas: desconforto nas pernas à noite com necessidade de movimentá-las, que alivia ao andar; costuma estar ligada à falta de ferro.

Transtorno comportamental do sono REM: falar, gritar, chutar e cair da cama durante os sonhos; merece atenção porque pode anteceder doenças neurodegenerativas.

Sono atrasado, típico de adolescentes e jovens, em que a pessoa só consegue dormir de madrugada — tratado com luz e ajuste gradual de horários.

Tratamento sem depender de calmantes

A terapia cognitivo-comportamental para insônia é o tratamento de primeira linha, com resultados superiores aos remédios a longo prazo. Ela trabalha restrição de tempo na cama, controle de estímulos e os pensamentos de ansiedade em torno do sono.

Medicações podem ser usadas por períodos curtos e com indicação clara. Benzodiazepínicos de uso crônico pioram memória, aumentam risco de queda e criam dependência — reduzir esse uso costuma ser um dos objetivos do acompanhamento.

Perguntas frequentes

Quantas horas de sono são necessárias?
A maioria dos adultos precisa de 7 a 9 horas, mas o mais importante é acordar descansado e funcionar bem durante o dia.
Melatonina resolve insônia?
A melatonina ajuda mais em problemas de horário do sono, como atraso de fase e jet lag, do que na insônia clássica. Deve ser usada com orientação quanto à dose e ao horário.
Insônia pode causar problemas neurológicos?
O sono ruim crônico piora memória, atenção e humor, e está associado a maior risco cardiovascular e de declínio cognitivo. Por isso a insônia merece tratamento, e não apenas convivência.

Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a consulta médica. Em caso de sintomas, procure avaliação profissional.