Esclerose múltipla: sintomas, diagnóstico e tratamento
Surtos, diagnóstico por ressonância e líquor, e como as terapias modificadoras mudaram o prognóstico da doença.
Por Dr. Matheus Simão, médico neurologista em João Pessoa - PB · Atualizado em 16/09/2026
Resumo
A esclerose múltipla é uma doença autoimune em que o sistema de defesa ataca a mielina do sistema nervoso central. Costuma começar entre os 20 e os 40 anos, mais em mulheres, com sintomas que aparecem em surtos: perda de visão em um olho com dor, formigamento persistente, fraqueza, desequilíbrio e fadiga intensa. O tratamento com terapias modificadoras reduz surtos e previne incapacidade.
Como a doença se manifesta
Os sintomas dependem da região do sistema nervoso atingida e se instalam ao longo de horas a dias, permanecendo por semanas — é o que se chama de surto.
Os quadros mais típicos são neurite óptica, com embaçamento ou perda de visão em um olho acompanhada de dor ao mover o olho; formigamento ou dormência que sobe pelo tronco ou pernas; fraqueza em um membro; desequilíbrio; visão dupla; e fadiga desproporcional ao esforço.
Sinais que pedem investigação
Vale procurar um neurologista quando houver:
- Perda ou embaçamento visual em um olho, com dor ao movimentá-lo
- Formigamento ou dormência que dura mais de 24 horas e não se explica por postura
- Fraqueza ou desequilíbrio de início recente
- Sensação de choque ao abaixar a cabeça
- Fadiga intensa e persistente, que piora no calor
- Urgência urinária nova em pessoa jovem
Diagnóstico
O diagnóstico exige demonstrar lesões em locais diferentes do sistema nervoso e em momentos diferentes. A ressonância magnética de crânio e de medula é o exame central, geralmente com contraste.
O exame do líquor pode mostrar bandas oligoclonais, que reforçam o diagnóstico. Exames de sangue afastam doenças que imitam esclerose múltipla, como neuromielite óptica, lúpus, deficiência de vitamina B12 e infecções. O potencial evocado visual ajuda em casos selecionados.
Tratamento
O tratamento tem três frentes. O surto agudo é tratado com corticoide em dose alta para encurtar sua duração.
As terapias modificadoras da doença, em comprimido, injeção ou infusão, reduzem novos surtos e o acúmulo de lesões. Existem hoje várias opções, com perfis diferentes de eficácia e segurança, e a escolha é individual.
A terceira frente cuida dos sintomas: fadiga, espasticidade, dor neuropática, alterações urinárias, depressão e dificuldades cognitivas. Fisioterapia, exercício regular, vitamina D conforme orientação, parar de fumar e evitar calor excessivo — relevante no clima da Paraíba — completam o plano.
Prognóstico
A esclerose múltipla de hoje não é a de vinte anos atrás. Com diagnóstico precoce e terapia adequada, a maioria dos pacientes mantém trabalho, estudos, gestação planejada e vida ativa por décadas. O acompanhamento regular, com ressonâncias de controle, é o que permite trocar de tratamento antes que surja incapacidade.
Perguntas frequentes
- Esclerose múltipla é a mesma coisa que ELA?
- Não. A esclerose lateral amiotrófica (ELA) é outra doença, que afeta o neurônio motor e causa fraqueza progressiva. A esclerose múltipla é autoimune, atinge a mielina e tem tratamentos que modificam sua evolução.
- Quem tem esclerose múltipla pode engravidar?
- Sim. A gestação costuma ser segura e muitas vezes reduz surtos, mas exige planejamento junto ao neurologista para ajustar as medicações antes da concepção.
- O calor piora a esclerose múltipla?
- O calor pode piorar temporariamente sintomas já existentes, fenômeno conhecido como Uhthoff. Não significa novo surto e melhora com o resfriamento.
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a consulta médica. Em caso de sintomas, procure avaliação profissional.