Demência: tipos, sinais de alerta e cuidados
Demência não é só perda de memória. Conheça os tipos, as causas reversíveis e o que fazer para proteger o cérebro.
Por Dr. Matheus Simão, médico neurologista em João Pessoa - PB · Atualizado em 16/09/2026
Resumo
Demência é a perda progressiva de funções mentais — memória, linguagem, julgamento, orientação — a ponto de comprometer a autonomia. A causa mais comum é a doença de Alzheimer, seguida pela demência vascular, pela demência com corpos de Lewy e pela frontotemporal. Parte dos quadros tem causas tratáveis, o que torna a avaliação neurológica indispensável.
Os principais tipos
Cada tipo tem um padrão de início diferente:
- Alzheimer: começa pela memória recente e evolui lentamente
- Demência vascular: ligada a AVCs e doença dos pequenos vasos, costuma piorar em degraus e afeta atenção e lentidão de raciocínio
- Demência com corpos de Lewy: flutuação da atenção, alucinações visuais e sinais de parkinsonismo
- Demência frontotemporal: começa por mudança de comportamento, desinibição e perda de empatia, ou por dificuldade de linguagem, muitas vezes antes dos 65 anos
Causas que podem ser revertidas
Nem todo declínio cognitivo é degenerativo. Deficiência de vitamina B12, hipotireoidismo, depressão, apneia do sono, uso de certos remédios (calmantes, antialérgicos, alguns para bexiga), abuso de álcool, hidrocefalia de pressão normal e infecções crônicas podem causar quadros semelhantes.
Essas causas são identificadas com exames simples e, tratadas, podem melhorar muito o quadro. Esse é um dos motivos para não aceitar a perda de memória como algo natural da idade.
Quando procurar avaliação
Procure um neurologista quando o esquecimento passa a interferir na rotina: contas atrasadas, remédios trocados, perder-se em lugares conhecidos, dificuldade de acompanhar conversas ou mudanças de comportamento e personalidade.
Leve à consulta a lista completa de medicamentos e, se possível, um familiar que conviva de perto. A percepção do acompanhante é parte fundamental do diagnóstico.
Como reduzir o risco
Fatores de risco modificáveis respondem por parte relevante dos casos:
- Controlar pressão arterial, diabetes, colesterol e obesidade
- Tratar perda auditiva — o uso de aparelho auditivo faz diferença
- Manter atividade física regular e vida social ativa
- Não fumar e moderar o álcool
- Tratar depressão, insônia e apneia do sono
- Estimular a mente com leitura, estudo e atividades novas
Cuidar de quem cuida
A demência afeta a família inteira. Rotina previsível, ambiente seguro, comunicação com frases curtas, evitar discussões sobre fatos e manter atividades prazerosas reduzem agitação e sofrimento.
O cuidador precisa de revezamento, pausas e acompanhamento próprio. Sobrecarga do cuidador é uma das principais causas de piora do paciente. Em João Pessoa, as consultas de acompanhamento incluem orientação à família, com retornos por teleconsulta quando o deslocamento é difícil.
Perguntas frequentes
- Demência e Alzheimer são a mesma coisa?
- Não. Demência é o quadro de perda de funções mentais; Alzheimer é a doença que mais frequentemente a causa, mas existem outras.
- Demência é normal na velhice?
- Não. Envelhecer pode trazer lentidão para lembrar nomes, mas perder autonomia não é esperado e deve ser investigado.
- Quais exames são feitos na investigação?
- Testes cognitivos, exames de sangue (incluindo vitamina B12 e tireoide) e imagem do cérebro por ressonância ou tomografia. Casos selecionados exigem exames adicionais.
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a consulta médica. Em caso de sintomas, procure avaliação profissional.