Epilepsia e crises convulsivas: o que fazer e como tratar
Tipos de crise, primeiros socorros corretos, exames como eletroencefalograma e o que esperar do tratamento com medicação.
Por Dr. Matheus Simão, médico neurologista em João Pessoa - PB · Atualizado em 16/09/2026
Resumo
Epilepsia é a tendência a ter crises epilépticas repetidas, causadas por descargas elétricas anormais do cérebro. Nem toda crise é a convulsão clássica: existem crises de ausência, com olhar parado, e crises focais, com movimentos repetitivos ou sensações estranhas. Com medicação adequada, cerca de 7 em cada 10 pessoas ficam livres de crises.
Nem toda crise é convulsão
A crise tônico-clônica generalizada — queda, enrijecimento e abalos do corpo — é a mais conhecida, mas não é a mais comum. Muitas crises passam anos sem diagnóstico porque não se parecem com isso.
Crises de ausência aparecem como segundos de desconexão, com olhar fixo, comuns em crianças e confundidas com desatenção. Crises focais podem causar formigamento, cheiro estranho, sensação de já ter vivido a cena, movimentos repetitivos com a mão ou com a boca, e confusão depois.
O que fazer durante uma crise
Se alguém tiver uma crise convulsiva perto de você:
- Mantenha a calma e marque o horário de início
- Afaste objetos que possam machucar e proteja a cabeça com algo macio
- Vire a pessoa de lado para evitar engasgo
- Não coloque nada na boca e não tente segurar os movimentos
- Fique ao lado até a recuperação e explique com calma o que houve
- Chame o SAMU (192) se a crise passar de 5 minutos, se houver outra em seguida, se for a primeira crise, se houver dificuldade para respirar ou ferimento importante
Causas e gatilhos
Epilepsia pode ter causa genética, estrutural — sequela de AVC, traumatismo craniano, infecção do sistema nervoso, tumor — ou permanecer sem causa identificada.
Mesmo em quem já tem diagnóstico, alguns fatores facilitam crises: privação de sono, esquecer doses da medicação, bebida alcoólica, febre, estresse intenso e, em parte dos casos, luzes piscantes.
Exames usados na investigação
O eletroencefalograma registra a atividade elétrica cerebral e ajuda a classificar o tipo de epilepsia. Um exame normal não exclui o diagnóstico, já que as alterações podem não ocorrer durante o registro.
A ressonância magnética procura causas estruturais. Exames de sangue avaliam alterações metabólicas que podem provocar crises. O relato de quem presenciou a crise, e um vídeo feito pelo celular, valem muito na consulta.
Tratamento e vida normal
O tratamento é feito com medicações antiepilépticas escolhidas conforme o tipo de crise, idade, outras doenças e planos de gravidez. A maioria das pessoas controla as crises com um único medicamento em dose adequada.
Tomar a medicação no mesmo horário todos os dias e dormir bem são as duas medidas que mais reduzem recaídas. Nunca interrompa o remédio por conta própria: a suspensão abrupta é uma das principais causas de crises graves.
Casos que não respondem a dois medicamentos bem indicados são considerados refratários e podem se beneficiar de avaliação para cirurgia ou outras terapias. Quem está com crises controladas pode dirigir, trabalhar e praticar esportes, respeitando as regras legais e orientações específicas.
Perguntas frequentes
- Uma única convulsão significa epilepsia?
- Não necessariamente. O diagnóstico exige crises repetidas não provocadas ou uma crise com alto risco de recorrência comprovado por exames. Ainda assim, a primeira crise sempre deve ser investigada.
- Epilepsia tem cura?
- Muitos pacientes ficam anos sem crises e alguns conseguem suspender a medicação com segurança sob orientação médica. Em outros, o objetivo é controle completo das crises com tratamento contínuo.
- Quem tem epilepsia pode dirigir?
- Sim, desde que esteja sem crises pelo período exigido pela legislação de trânsito e com laudo do neurologista que acompanha o caso.
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a consulta médica. Em caso de sintomas, procure avaliação profissional.