AVC (derrame): sinais, o que fazer e como prevenir

O teste SAMU para reconhecer um derrame, por que cada minuto conta e o que fazer no acompanhamento depois da alta.

Por Dr. Matheus Simão, médico neurologista em João Pessoa - PB · Atualizado em 16/09/2026

Resumo

AVC é a interrupção do fluxo de sangue em uma parte do cérebro. Os sinais mais comuns são boca torta, fraqueza em um lado do corpo e dificuldade para falar, de início súbito. Diante deles, chame o SAMU (192) imediatamente: o tratamento que dissolve o coágulo tem janela de poucas horas. Controlar pressão, diabetes, colesterol, tabagismo e arritmia previne a maior parte dos casos.

Como reconhecer: teste SAMU

A sigla ajuda a lembrar dos sinais principais, que começam de repente:

  • S — Sorriso torto: peça para a pessoa sorrir e veja se um lado do rosto não se mexe
  • A — Abraço: peça para levantar os dois braços e observe se um cai
  • M — Música ou mensagem: peça para repetir uma frase e note fala enrolada ou troca de palavras
  • U — Urgente: havendo qualquer um desses sinais, ligue 192 na hora

Outros sinais súbitos de alerta

Perda de visão em um olho ou visão dupla, tontura intensa com desequilíbrio, formigamento de um lado do corpo e a pior dor de cabeça da vida também podem indicar AVC.

Sintomas que passam em minutos não são motivo para relaxar: podem ser um AIT, o ataque isquêmico transitório, que funciona como aviso de um AVC maior a caminho e exige avaliação imediata.

Tempo é cérebro

No AVC isquêmico, causado por um coágulo, existem tratamentos capazes de reabrir o vaso — trombólise e trombectomia —, mas eles só podem ser feitos dentro de uma janela de horas a partir do início dos sintomas.

Por isso não espere melhorar, não ofereça remédio, comida ou água e não leve a pessoa de carro se puder acionar o SAMU: a ambulância já encaminha para um hospital preparado. Anote o horário exato em que os sintomas começaram — essa informação define o tratamento possível.

Prevenção: o que realmente reduz o risco

A maior parte dos AVCs pode ser evitada com controle de fatores de risco:

  • Pressão alta — o fator isolado mais importante
  • Diabetes e colesterol elevado sob controle
  • Parar de fumar
  • Fibrilação atrial e outras arritmias tratadas, muitas vezes com anticoagulante
  • Atividade física regular e redução do sal na alimentação
  • Moderar bebida alcoólica e tratar apneia do sono

Depois do AVC: a fase que define a recuperação

O acompanhamento neurológico após a alta tem dois objetivos: evitar um novo AVC, com ajuste de medicações e investigação da causa, e conduzir a reabilitação.

Fisioterapia, fonoaudiologia e terapia ocupacional iniciadas cedo aumentam a recuperação de movimento, fala e autonomia. Também é preciso olhar para depressão pós-AVC, dor no ombro, espasticidade e alterações de memória, comuns e tratáveis.

Em João Pessoa, o acompanhamento pode ser feito em consulta presencial inicial, com retornos por teleconsulta quando a locomoção é difícil para a família.

Perguntas frequentes

Qual a diferença entre AVC isquêmico e hemorrágico?
O isquêmico é causado por entupimento de uma artéria e corresponde à maioria dos casos. O hemorrágico ocorre por rompimento de um vaso, com sangramento dentro do cérebro. Os sinais podem ser parecidos e só a tomografia diferencia.
AVC pode acontecer em jovens?
Sim. Embora seja mais comum após os 55 anos, jovens podem ter AVC por alterações de coagulação, dissecção arterial, doenças do coração e uso de drogas. Os sinais e a urgência são os mesmos.
Quem já teve AVC precisa de neurologista mesmo estando bem?
Sim. O risco de um segundo AVC é maior nos primeiros meses, e o acompanhamento ajusta a prevenção e a reabilitação.

Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a consulta médica. Em caso de sintomas, procure avaliação profissional.