Doença de Alzheimer: primeiros sinais, diagnóstico e tratamento

Esquecimento normal da idade ou Alzheimer? Sinais precoces, exames usados no diagnóstico e o que esperar do tratamento.

Por Dr. Matheus Simão, médico neurologista em João Pessoa - PB · Atualizado em 16/09/2026

Resumo

A doença de Alzheimer é a causa mais comum de demência e começa com esquecimento de fatos recentes: perguntas repetidas, compromissos esquecidos e dificuldade de aprender informações novas. O diagnóstico é clínico, apoiado por testes cognitivos, exames de sangue e de imagem do cérebro. Quanto mais cedo é feito, maior o ganho com tratamento e com o planejamento da rotina familiar.

Esquecimento da idade ou Alzheimer?

Esquecer onde deixou a chave e lembrar depois é comum em qualquer idade. No Alzheimer, o esquecimento é progressivo e atrapalha a vida diária: a pessoa repete a mesma pergunta em poucos minutos, esquece conversas inteiras e passa a depender de anotações para tarefas antes automáticas.

A diferença não está em esquecer, e sim em não conseguir recuperar a informação mesmo com dicas, e em perder, aos poucos, a autonomia.

Dez sinais de alerta

Fique atento se a pessoa apresentar:

  • Perguntas e histórias repetidas no mesmo dia
  • Dificuldade para lidar com dinheiro, contas e trocos
  • Confusão com datas, horários e lugares
  • Dificuldade de encontrar palavras durante a conversa
  • Perder-se em trajetos conhecidos
  • Guardar objetos em lugares inadequados
  • Abandono de hobbies e de atividades sociais
  • Mudança de humor, desconfiança ou irritabilidade sem motivo
  • Dificuldade em tarefas com várias etapas, como cozinhar uma receita
  • Descuido com higiene e aparência

Como é feito o diagnóstico

A consulta começa pela história contada pelo paciente e por um familiar próximo, o que é indispensável. Depois vêm testes cognitivos que avaliam memória, linguagem, atenção e funções executivas.

Exames de sangue afastam causas tratáveis de perda de memória, como alteração de tireoide, deficiência de vitamina B12 e infecções. A ressonância magnética ou tomografia do cérebro avalia atrofia e descarta outras doenças. Em casos selecionados, exames mais específicos de biomarcadores podem ser indicados.

O que o tratamento pode fazer

Não existe cura, mas existe tratamento. Medicações como os inibidores da colinesterase e a memantina ajudam a preservar funções por mais tempo e a reduzir sintomas de comportamento.

Tão importante quanto o remédio é o cuidado não medicamentoso: atividade física regular, estímulo cognitivo, vida social ativa, sono de qualidade, controle de pressão, diabetes e colesterol, e correção de audição e visão. Esses fatores mudam a velocidade da evolução.

A orientação à família também faz parte do tratamento: rotina previsível, ambiente seguro contra quedas, comunicação simples e apoio ao cuidador, que adoece com frequência e raramente é cuidado.

Por que procurar cedo

O diagnóstico precoce permite tratar causas reversíveis, iniciar medicação na fase em que ela rende mais, organizar documentos e decisões enquanto a pessoa ainda participa delas, e preparar a família. Em João Pessoa, a avaliação cognitiva pode ser feita em consulta de 1h, com espaço para o acompanhante.

Perguntas frequentes

Alzheimer é hereditário?
A maioria dos casos não é diretamente hereditária. Ter um parente de primeiro grau aumenta um pouco o risco, mas idade, pressão alta, diabetes, sedentarismo, perda auditiva e isolamento social pesam mais.
Qual exame confirma o Alzheimer?
Não existe um exame único. O diagnóstico é clínico, apoiado em testes cognitivos, exames de sangue e imagem do cérebro; biomarcadores são usados em casos selecionados.
Perda de memória sempre é demência?
Não. Depressão, ansiedade, insônia, hipotireoidismo, falta de vitamina B12 e efeitos de medicamentos causam falhas de memória reversíveis. Por isso a investigação é necessária.

Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a consulta médica. Em caso de sintomas, procure avaliação profissional.